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13/05/2006 01:46




Aqui venho falar de Amor...
Oh, o Amor, aquele cuja voz, tão doce, tão bela,
Vem de meus lábios ao teu ouvido e assela,
Quando liberto o véu do pudor.

Acordes que tocam na lira em sonata ao luar,
E goza a lua enquanto no ermo da praia clareia
Entre silfos e ondinas, e os gnomos na areia,
Duas almas, uma só chama a consumar!

E os teus beijos qual perfume o são
De lábios que são puras flores,
Que estreitos laços são de amores,
Lábios esses que folgueiam a paixao!

Ardem ao sutil toque, como brasas em cinza pura,
Como uma estrela que em noite escura,
Assim prometem teus beijos, flor de esperança,
A quem os fruiu a eterna bonança!

E qual gozo maior há de se esperar
Desta que fruiu de teus ledos beijos?
Gozo maior nao hei de ter, se ao te amar
Já compensei até o mais sutil de meus desejos!

Nesse eterno bem-querer, em meio a brando gesto,
Lembrar-me-ei das primícias de nosso Amor,
Entre suspiros, entre soluços e olhar honesto,
Como a voz pura que apazigua a inconsolável dor,

Assim se desvanece da existência o pejo.
Dançaremos em praia arenosa de Amor o hino,
Pois quando o nácar de teus lábios entre suspiros beijo,
Rouba ao instante o gozo divino!

Gabriella Malerba
29/03/06

enviada por Angel_punished



08/04/2006 16:56
Ainda é noite...

Era tarde - a lua ainda fulgurava,
Errantes vagueavam as estrelas no escuro véu,
Volitavam mudas as aves da noite no céu,
Enquanto junto ao salgueiro uma donzela arfava..

E de seus lábios, tingidos por uma genuína languidez,
Palavras ecoavam solenes fazendo-se canção,
Um canto tão profundo como o do rouxino de outono na estação,
Sonhava pálida donzela, enquanto vagava seu espirito soez.

Do vento nos rios eis que oscilavam doces acordes.
E teus olhos, inspiravam-me luz e calma,
Aprazível paz, qual me acalentava a alma.
E ecoam em gratidão a ti como que compunho singelos odes.

Não te vás, meu doce amado, com da aurora o despontar!
Ainda é noite! Vês os diamantes no escuro céu?
Não te vás, pois que serão das lágrimas o saibo como fel,
Às mortas rosas de meu jazigo regar!

Gabriella Malerba
08/04/06

enviada por Angel_punished



25/01/2006 23:32



Entre o palor da lua...

Da ara nos turíbulos onde incenso a queimar
Em aprazível eflúvio, tua face mádida
Vi adejando. De uma dolência sórdida
Uma réquiem tocava, em tantálico soar.
A tremer minh'alma triste e fria - em dolorosa
Volupia! Ó mar dos errantes! Que tua onda nervosa,
Arraste o que jaz fenecido em gélido covil.
E o palor remanesça ante seu canto vil.

Do arrebol na agonia, entre brumas,
De lírio tua face vi em devaneio.
Pálido, eis como eras! Entre escumas
No mar como a lua. E no enleio
Olhei para o céu e lá estavas tu!
Como de amor uma lágrima eis que oscilava,
Pendente, anelara meu lábio frio. Em azul
Límpido céu tuas asas pendeu, e voava...

Perto do céu, a flamejar tuas asas,
Ansiava pela lua tépida das vagas.
O mar que de ti distava, em errantes plagas,
Era onde boiava meu ser em águas rasas.
Era onde pranteava eu, de ti saudosa.
Pálido amante, a mim pertencer em céu decerto,
Pois que aqui floresce a rosa chorosa.
Eis em terra, onde cavalgas de mim incerto.

Gabriella Malerba
25/01/06

enviada por Angel_punished



24/01/2006 23:53
"O jeito que o salgueiro se curva para o rio
como um lamentador chorando pelo seu amado
me relembra a última queda
quando de joelhos, eu me prometi a você."

Que direi às vagas ao beijar-me os pés?
Que aquietem-se como as inquietantes
Marés? E no enleio dos amores sois amantes,
De carícias a tremer em fúnebre convés!

Que direi dos beijos teus, e do toque frio
De tuas gélidas mãos,e dos olhos ardentes,
Duas chamas flamejando como cadentes
Estrelas que contornam o exíguo rio?

Eis como são os carmes pálidos que compus,
Em noite sem luar da ardente mocidade,
Uma pétala que remanesce essa rubra luz,
O devaneio final em doce obscuridade!
[G.M]31/10/05


Estrelas

Ó estrelas, serieis vós fantasmas passados
Quais segredos revelados meus vos derramei?
E lagrimas com as quais meu seio reguei,
Como o orvalho ao alvorecer em distantes prados?

Por que entregais os que vos contei segredos?
Exíguo vigor em ti reluzente nao mais perdura.
Nao exarcebante chamarei pela envergadura,
Pela vaidade, ó gentis estrelas, nem por vossos medos!

Pois que vós sois de mim um espelho sublime.
A luz emanais, luz aquela que sempre almejei,
Desde remotas épocas, estrela qual sonhei,
E o fui jamais, senão aquela que exime.

Brilho vosso, tão ausente brilho oscilante!
Saudade do imaculado de sonhos de outrora,
Saudade da inocência que jaz fenecida agora.
Brilho vosso, tão ausente brilho distante!
G.M
enviada por Angel_punished



24/01/2006 23:29



Eterno
[13/12/05]

Puderas tu o designio ter, em distante prado
Pálidas rosas em leito meu qual fenecem,
Findar-se nunca como cada dia o sol que esmorece.
Sim, e eterno serias tu, para sempre o imaculado!

E do fogo a faúla, em singelo flabelo,
Renitente o estado ser! Vivamos da chama
Eterna, do imortal momento de quem ama!
Ó flor de lírio! Ó cravo mais belo!

E da sina a corrimaça, qual tenta perecer
De amantes devaneios - nem sequer o motim
Qual assoma passar dos anos! Nem assim!
Pois dos dias no cenáculo nos iremos robustecer!

Mesmo em qual vivemos plano interino,
Mesmo em das oscilações o mar,
Amaremos cada de sino soar!
Amemo-nos! pois ser este o nosso destino!

Gabriella Malerba

enviada por Angel_punished



25/08/2005 17:33


Um Amor
(Gabriella Malerba – 09/04/05)

Quando a Lua – singela testemunha noturna
De meus lamentos – vir-me, em curto passo esvaecido,
Pelos bosques a percorrer; e as reminiscências tardias,
Como lagrimas anelar o meu peito, faze-la-ia
Sobre minha fronte seu pranto escorrer.

_ Por que choras Lua? Recorda-te dos corpos despojados
A espalhar o fresco orvalho por onde pisava o corcel?
Ou a trocar caricias quando pálida nossa fronte
Iluminavas tu? OH, noites de amor! Onde o tropel
Do alado que esses dois amantes conduzia
Aos bucólicos seres nos traía! Naquele tempo
Amar era viver! Teu peito era minha estadia!

Se ao teu passar me erguias, nos pernoites
Realizávamos os devaneios de amor, e ébrios
Pela alvorada dois peregrinos ouviam-se a cantar:
Canções passionais, que hoje doridos acordes são na lira,
Quando transformam-se as notas em sonata ao luar!

Hoje as noites gasto em sonhos que de ti falam!
Vejo-te nas estrelas do céu, na estrela d’alva! – eu sei!
As brisas que por mim passam, teu nome sussurram,
E me devolvem os beijos que nela depositei!

Secas lagrimas são por ti esta noite vertidas.
Cai a chuva, e o molhado alpendre escorre as mesmas lágrimas
Que agora latente derramou a Lua – e meus passos esvaecidos
Com a úmida chuva tocam agora, que saudade!
Por que os luares tardios não mais devolvem,
De amor as noites, os sonhos, as quimeras?

No seio o guardo – lembrança somente1
saudade de teus lábios quando os meus roçavam!
Saudade da glória que sonhei! A alma se desespera,
Tudo se desfez! Jaz negra a rubra rosa!
A rosa de quando te amei!


(23/09/05 – 04:47 a.m)

Doce espelho de suspiros a brilhar
No céu – das donzelas o hálito exalado
Cheio de amores por aquele amado!
Assim sou eu por ti a sonhar!

As vagas inquietantes a molhar os pés,
Peregrinos na areia a se amar – e eis que são
No espelho das águas reflexos que se vão,
Como oscilando vão-se as marés!

Repousas mansamente, mesmo mediante
De uma mente a inquietude constante.
Eis que teu repouso é um ancorado
De amor um navio de promessas sagrado!

Não vês que de viver a alegria tua
É a qual um coração idealiza partilhar,
Um dia – eis que se este há de chegar,
Verás de amor a suspirar a própria Lua,

Pela quimera realizada! – pelo devaneio
Do riso ledo de meus lábios brotar.
Há de ser por ti que esse sorriso se irá mostrar,
Pois o que tu és – simplesmente o tudo que anseio!

Do qual oriundo o beijo que remanesce
De um onírico momento aquela que adormece,
Por longos anos trouxeste o que julguei jazido,
E eis que somente se esqueceu adormecido!

Ouça a brisa, pois que esta carrega os beijos
Que depositei para de teus lábios o encontro!
Amor – mitigou da vida o fel, e agora jaz pronto
O divino romance de meus autênticos desejos!

Gabriella Malerba

26/09/05 – 4:35

Dizei-me o tempo, pois, que no derradeiro
Momento que concebeu a vida em sumo instante,
De ti tão fugaz faz-me, e eis que mesmo distante,
És tu de meu dia o pensamento primeiro!

Quão saudades na ausência tua – renitentes,
Assim o são em noites de tardio luar!
Quando estão as estrelas a chorar,
De saudade das quimeras em sonhos presentes!

Agarra-te ao querubim imaculado,
O qual sonho teu habita na cisma devaneísta
A que me entrego, ou seria egoísta
Amor esse, pois que a ti somente é dado!

O que são de amor os desejos,
Senão ao lado teu eterno momento passar;
O que os seriam, senão para sempre amar
Aquele que de amor alimenta meus mais sutis almejos?

Gabriella Malerba

(27/09/05 – 4:32)

Não falam as rosas as canções que a ti
Compus nos pernoites passionais – do jardim
De meu coração tu és o jardineiro, enfim,
Aquele que os sonhos trouxe que pedi!

Como te quero assim quer também
O mar as noites de luar – e beijando
As rochas, que venhas tu amando,
Beijar estes lábios que te querem bem!

Vem a vida – aquela que sonha divina,
Que tanto sonho vê perecer!
Ó meu amado, não deixe morrer
A que doces sonhos carrega de menina!

Esse coração que em esperança é ateu,
Acredita no amor do que nele mora,
E lágrimas, eis que estas vão embora!
Pois como embriagado vive - no mel do beijo teu!

Gabriella Malerba



06/10/05
Vastos pés pelo orvalho molhados,
A percorrer a crueldade de um confim
Telúrico! E a Alegria – quão longe de mim!
Esse ser depreciar como parias escoltados!

Antes a chama coubesse mediante ardor
Num coração arredio que hoje chora!
Pois que se dissolve e parte afora!
Como assim de mim é o próprio amor!

Pois que chorar – eis que mais não sei!
Lamentos – escusos, escassos,
Como assim teu amor devasso!
Penetra-me a alma em trono Rei!

E as promessas de leviandade,
E a dor em seio meu nefasta,
Eis que martírio és tu que arrasta!
Pensamentos hostis de outrora maldade!

Tu, que ao vento apaziguaste – tu qual anseio!
Noites taciturnas no ébrio descanso,
Noites vorazes a te consumir o seio!
Sonho aprazível – pois quando o alcanço!

Nas sutis noites em ti onde me enleio...


09/10/05

Adeus meus sonhos

Adeus sonhos jazidos! Em cruel
Pranto deste o último suspiro teu,
De desolações perante o pranto meu.
À beira dos abismo rasgaste teu véu!

Vida, foste um dia de ventura
Sonho meu que irriguei?
Às margens plácidas qual sonhei,
A irrigar alegria e tortura!

E a mitigar sonhos foste tu a correr,
Bosques remanescentes, qual beleza
Que julgava eu pendente – só tristeza!
Transformou-se quando dei-me a morrer!

Adeus singelas lágrimas que pranteio!
Adeus sonhos que sonhei!
Guardei da vida presente e lhe dei
Desgosto por meu hostil enleio.

Sucumbo nas chagas de coração demente,
Ao abate onde lanço-me imersa em pesar,
Tu ó vida, levaste a destreza do sonhar,
Disseste adeus ao devaneio fremente!

Gabriella Malerba




18/10/05

Anjo

Ávido levantaste enfim,
Qual semblante de matiz análoga a bruma,
Tendo nos lábios a frieza da escuma
Do mar que roubaste de mim!

De ametista olhos de imaculado,
Aspirando tu foste tremenda bravura,
Tu és o anjo em que época escura
À vida minha foi enviado!

E qual anjo és tu?
Senão o que próprio desconheço!
Tu és anjo de dúbio semblante,
Tu és um eterno amante,
Das cismas ilusórias e devaneios!

Tu qual palidez levita sobre a lei,
Ao mar das marés que oscilam,
Vida minha! E que ilusões te digam!
O quanto em vida eu te amei!

Chora o céu em outrora tarde de verão!
Choram as rosas ao amanhecer!
E a noite deleitam-se na beleza,
Qual tentam remanescer
Meu caótico mundo de ilusão!

Gabriella Malerba

04/09/05

Lágrimas de Tortura

Mil vezes maldita a dor que perdura
De meu ser nas entranhas sufocadas,
Pelo fel das quais existi as amarguradas
E tristes vidas de inerente tortura!

A chorar pelo que desconhece o ser
Meu próprio tenho eu andando sob escuro
Chão, e a lamentar sobre as dores desse duro
Momento pelo qual me vejo a padecer!

Qual a chave cujas mãos seguraram
E do vento à mercê como poeira
Foi-se dissipada, a correr ligeira
Os lugares que nunca mudaram!

Do obscuro lado ao qual trajeto
Tenho eu percorrido estes vastos
Anos, que passam nefastos
E tornam-me o desprezível que sou objeto.

Oh Vida, a ti não mais chamarei cruel,
Pois como o que volta um dia partiu,
Assim fui eu a que de ti fugiu
Como o contrário é a abelha ao mel!

Obsoleta a mente pode se tornar,
Adormecer que sinto essa apatia e dor,
Pois foi-se de meu ser o dúbio amor,
Para a este mais nunca retornar!


enviada por Angel_punished



11/08/2005 17:33



06 de Agosto(Sábado) 19:30

Simplesmente o mesmo velho chão; andando atônita sobre os frios trilhos, beijados todos os dias pelo orvalhar que não cessa. Tenho me prendido como quem tenta prender, debalde, um amor que se vai, simplesmente como uma folha ao vento no outono da vida. Já percebeste como parte oscilando com a valsa inquietante da ventania, que apaga os fogos das simplórias paixões e leva as ilusões perdidas? Não mais acredito nas diáfanas nuvens passeando distantes, mas ah! Nos tempestuosos nimbos – nestes nunca deixei de acreditar! Dorme tão tranqüila a serpente ígnea em meu cócix. E o que me devora: as palavras que não dizem o coração! Antes estivesse aqui o meu amor, para em meus tristonhos olhos ver toda a saudade que agora sinto! Recôndita, dorme ainda a esperança de meu trem passar. Abandonada nesta estação, sem estrelas, só e sem eu mesma. A paisagem é recheada de vestígios dos que por aqui embarcaram, com seus enigmas encravados em paredes, e os quais são até hoje simplesmente isso: enigmas!; tem os com seus rastros triviais e até aqueles que com os seus raros – digo raros! – encantos me tocaram. Dos que não partiram, onde estão seus mortais restos? Se só me encontro, lhes deveriam restar ao menos de cabelo um fio, junto ao crânio que o tempo devera desintegrar. Pois de que suspeito a verdade: em cinzas tornaram-se! E agora como poeira ao vento os são! Voltaram, não sei se digo benditos ou amaldiçoados, ao pó de onde emergiram!

Pergunto-me, às vezes, se para entender o sofrimento de outrem deva haver total sanidade em mim. Pois, respondendo que sim, vejo que não me cabe fazê-lo em momento. Por que? Oras, simplesmente por eu duvidar de minha condição quanto à uma jovem sã – mental e fisicamente – já basta por isto!
Falando do céu, em sua denotação, há dias anda límpido(tão diferente se o for figurado!). Não fosse a brisa que provém do mar inquietante, nos aqueceríamos ao ponto de ascendermos às nuvens e cairmos sob a forma de chuva, pois acredito que assim para algo seria eu certamente útil: regar a terra! Terra seca, vidas secas. E contrastando com a aridez do estio, oásis e aqüíferos que ainda a sacia. Em seu âmago penetrando, a esperança por terras férteis! Eis que desponta a inveja, a ambição, as guerras onde a vida e a morte vestem as mesmas roupas, porém com matizes distintas: a primeira, branca como a nívea pomba que migra de seu ambiente bucólico aos confins de um inferno urbano; a outra, de um luto constante: negra como da madeira o ébano! Negra como as pupilas que nunca encontrei, ou, que as vendo, não as vi! Negros como os olhos da garotinha que corre às margens do rio, quando o sol já não mais brilha, e ao chegar em casa, depara-se com sua mãe estendida sobre um chão tão rubro, que lembrava-lhe o arrebol nos dias de primavera.

Não sabe ela ainda a razão de sua atual sordidez e insanidade. Por que dias passar tão lúcida a estudar cada palavra que não seja sua, se os olhos de outrem são um espelho dos seus? Ou mesmo tentar se encontrar nas águas turvas de uma lagoa que há tempos atrás abrigava tanta vida quanto a dor agora abriga? A caixa que, ao alvorecer, notaste em frente à lareira esconde isenta de chave uma fechadura. Antes não fosse tão escuro por dentro para espiar-lhe através da mesma, e encontrar o que anos estivera preso e escondido. Liberte-se! Deixe a garotinha correr, agora sob um sol flamejante! Não te foi a culpa, não a foi por tuas alegrias e devaneios! Por que se martirizar agora, e assassinar cada nascimento de uma nova quimera? Por que matar os sorrisos que teimam em transpassar a sólida crosta que construíste separando-te dos quadros que vivenciava em sonhos? As flores que derretiam em um púrpuro vivaz e escorriam de uma cascata formando coloridos rios como os braços do arco-íris! E lábios com ledos sorrisos boiavam em suas águas. As correntezas que a favor vinham eram mais renitentes que as que contra seu ser lutavam! De um vigor que invejavam mesmo as resistentes águias ao decidirem lutar por suas vidas – assim eras tu garotinha!

O que hoje vejo: simplesmente um polido espelho, do qual atrás teimo em espiar constantemente! E concluo: o que vejo e julgo ser a mim mesma, não passa de minha imagem cristalizada em olhares alheios! Corre essa garotinha pela chuva. “É melhor chorar enquanto chove” – foram suas tristonhas palavras. Mas as esconde em vão, pois não se pode esconder o que verte de olhos que apenas pranteiam. É como conter toda a água de uma cachoeira em uma superfície corredia e superficial. Muitas vezes disseste adeus ao céu azul; muitas vezes depositaste teus últimos beijos ao vento, esperando que de encontro fossem eles aos lábios de teu amado; e outras em que o último suspiro o qual te julgavas ser, gastava em lamentos por ser o que simplesmente tu és: desconhecida de ti mesma!

Gabriella Malerba



enviada por Angel_punished



17/06/2005 16:22


No fim existe a Verdade

Essa face minha – quantas lágrimas derramou!
Tristeza que chega e não parte sequer,
Pois não tem fim esta – e o que resta:
A ilusão da Felicidade! Não digo do prazer,
Que o coração enganou!

Digo sim da autêntica felicidade,
Dentro de mim escondida!
Digo da Essência engarrafada, pobre coitada!
Essa é da felicidade a Verdade!

Quem há de a libertar – que seja este feliz!
O quanto o invejo não se pode pesar,
Pois tem do Infinito o peso e a matiz
Desde Lamúria, desde o Éden que bem sei onde está!

E o choro, e as lágrimas, quando hão de partir?
Mesmo que a Eternidade eu visite, e o Kundalini desperte,
Hei de ser a mesma de “eus” passados? E rir,
E chorar não sei mais! Em que hei de me tornar, não sei!

Misericórdia ó Grande “Kabir”!
Ensina-me de todos os chacras o segredo!
Aquela que sou – o que aspiro descobrir!
E me libertar hei desse medo,

De descobrir o que um deva me revelou
Em sonhos lúcida! Tem odor funesto esse eu,
Tem um toque febril essa pele minha,
Tão perto hei de voltar ao germe de onde vim!

Adeus à que chorou!
Adeus à que sorriu!
Fui eu quem do mundo se isolou,
Fui eu a que o mundo nunca viu!


Gabriella Malerba (29/05/05)

enviada por Angel_punished



10/05/2005 16:12


Flor da Mocidade

Tão longa estrada até os cãs
Que a vida a todo mortal presenteia!
E na flor da mocidade estou a consumir
A solidão que me verte a cada ceia!

Devolva a vida meu sonho de ventura,
Que tragaste como de ópio um fumo!
E descendo goela abaixo como o gol e de vinho
Final, que antecipa o desatino, e no peito perdura

Longos anos de inexpiáveis prazeres!
A Felicidade é utopia remota do ser,
Que nas veigas acinzentadas tão distantea
Há de essa Felicidade a mim parecer!

E nos repousos invernais hiberno,
Na constante inércia do reptil.
Esse sono é a chave com que liberto
Do cativeiro meu canto vil!

(Gabriella Malerba 03/05/05)



Anos Levianos

Estes anos derramei-os em prazeres levianos!
Ao beijar o mel que a seiva de teus lábios produz,
Esse meu ser que retraído se desvanece e traduz
Os sentimentos resguardados mais ufanos!

Amor que a noite leva consigo,
Bem sei que te escondes na relva,
E os lábios contraídos pelo frio da selva,
Venha amado, aquecê-los comigo!

Por que negas meu amor solene?
Mortal algum há de amar-te
Como amo-te eu! E a madrugada há de apagar
Nossos encontros passionais que a Lua lene!

O torpor de minha alma nunca efêmera,
A transcorrer anos sob vasto leito demente,
E essa dor há de curar-se com a volta tua!
Pois é madrugada quando estás ausente!

Aprendi com o Sol a fingir felicidade,
Mesmo quando o eclipse é distante!
E como a Lua, não escondo as fases,
Choro de tristeza quando minguante!

(Gabriella Malerba � 03/05/05)



Saudade

Tenho ainda nos lábios o sabor dos beijos teus,
A ternura de teu olhar, como da cândida andorinha.
Meu devaneio: que estes olhos fossem meus,
Que essa tua boca fosse minha!

Com a dor não mais me afugento - não recuo agora!
Acostumei-me à solidão e à inerte nostalgia
De minha alma! Entre os rochedos e a névoa dormia
Tua face, como a escuma do mar, meu sonho de outrora!

Apercebas o sofrimento em meu ser! Há para sempre
Esse ser há de ser teu! E fora tu, não mais hei de amar
Outro alguém! por mais que esfrie esse coração, e um lar
Será por toda a eternidade - o teu lar esse albergue!

E por ser estes versos mais um carme a ti que não os vê
Como sendo apelativo ao teu amor? Deixe-os doce amado
Te envolver! Sinta-os nas vagas da vida, como que embriagado
Vierem-te lúcidos os pensamentos mais dúbios que tentaste esquecer!

Deixe-me beijar teus lábios de carmim,
Um sentido para a vida desde tanto tempo sentir...
Afagar essas mãos. calor que já me aqueceu! E sorrir!
Permita-te ser, mais uma vez, parte de mim!

(Gabriella Malerba � 17/04/05)



enviada por Angel_punished



25/01/2005 14:06

“Amo, para a alegria suprema e indizível
de humilhar-me aos teus pés tanto quanto possível,
e viverei feliz, como a poeira da estrada
se erguer-me ao teu passar, numa nuvem dourada
cheia de sol e luz, - nessa glória fugaz
de acompanhar-te os passos aonde quer que vás!
Não importa que eu role depois no caminho,
não importa que eu fique abandonada e só,
- quem nasceu para espinho há de ser sempre espinho!
- Quem nasceu para pó, há de sempre ser pó!”

Por mais longe que possamos estar um do outro,
Por mais latente que passe a ser a luz de teus olhos,
Perto estará o nosso coração.
Depositarei ao vento silenciosos beijos,
Que te mostrarão como uma brisa amena.
Sussurros que viajarão junto ao vento,
E irão de encontro aos teus ouvidos...
Ouvir-me-á dizendo “te amo”,e nem sequer te aperceberás.
A Lua – testemunha noturna de meus lamentos,
Dirá a ti com seu silêncio, que nesse mesmo momento
Há alguém que também a mira, e sussurra baixinho:”saudade...”
Na Praia do Amor há de Ter pegadas na Areia,e escritos a ti,
Castelos que se desintegram onda após onda...
A maré calou-se, nosso barco flutua no oceano das emoções,
Um sentimento revelado notarás com a aura da manhã,
E Junto ao crepúsculo os ecos de minha voz.
Ouvirás a melodia que compus junto às estrelas,
Ouvirás cada acorde dessa canção passional.
O entardecer sempre se findará em melancolia,
E a Noite verás apologias ao encanto desse Amor.
Dormirei o sono de ventura,emoçoes que inconsciente mitigo,
Em meus sonhos Amor, pelo menos em sonhos,
Hei de me encontrar contigo! Em um simplório vigor,
Nos teus braços, no égide cálido de teus abraços,
Hei de morrer de tanto amor!
(Gabriella Malerba 25/01/05)

enviada por Angel_punished



12/01/2005 01:28



enviada por Angel_punished



05/01/2005 00:11


Valsa do Último Sono

Tentei resistir ao manancial de águas turvas
Que lúgubres inundaram minha vida.
Foi-se a alegria de um canto nato,
Foram-se rasos os sentimentos afogados,
Boiaram de tristeza no mar desse canto perdido.

As últimas palavras de uma pacata solidão,
Um último suspiro à beira de tua cova,
Não se vá, bravo noturno, antes do amanhecer,
Essa criança chora, inunda uma taça de sangue,
E o sorriso não é mais patente em instantes de alegria.

O horizonte avermelhado contrasta com minha alma,
Negra, moldada em um crucifixo carcomido,
Vozes de uma multidão estarrecida ecoam pelos ares,
Percorro lentamente a via-crúcis, pés nus,
Manchando de vermelho as piçarras do caminho.

E quando a vista enegrecida encontrar a luz,
Latente, que sempre existe no fim do túnel,
Será o sonho de meu último sono,
Juntos, dançando a valsa de nossa morte,
Juntos, até o fim de nosso destino.

(Gabriella Malerba - 04/01/05)
enviada por Angel_punished



17/12/2004 11:11



Canto Fúnebre

Em cada um de meus súbitos pensamentos,
Recônditos em uma simplória enseada,
O véu da Morte me cobre os olhos,
Carrego da vida escusos lamentos,
Que me tornam herdeira do nada.

Deixe-me ó vida, provar do terno mel
Da morte! – deixe-me voar pelos mosteiros,
Esconder-me dos dias ensolarados,
Assim hei de descer logo abaixo do céu,
E ascenderei mais almas, ao amargo fel da vida.

Tu és o patrimônio amaldiçoado,
Fruto negro da escassez!
Minha jornada por este mundo chega ao fim,
Em prantos, terrível nudez,
Não chores vida, com teu olhar imaculado,
Apenas veja – o que tu fizeste de mim!

E agora, meu consolo é o negro véu,
A dor é insólita nesse peito voraz,
Aspiro-a cada dia mais! – a alegria noturna
De mim fez-se ausente! – a certeza do céu
Não mais existe em minha mente, e canto taciturna,
As dores de minha última elegia.

G.M (16/12/04)

enviada por Angel_punished



13/11/2004 10:41


O sonho

Eu vou te contar uma história do outro mundo, onde estou. Figura-te um céu azul, um mar calmo e verde, rochedos bizarramente talhados; nada de verdura, senão as dos pálidos líquens, pendurados nas fendas das pedras. Eis a paisagem. Não posso, como um simples romancista, comprazer-me em dar-te os detalhes. Para povoar esse mar, esses rochedos, não se procuraria senão a um poeta, sentado, sonhador, e refletindo em sua alma, como num espelho, a calma bonita da Natureza, que não falava menos ao seu coração do que aos seus olhos. Esse poeta, esse sonhador, era eu. Onde? Quando se passa o meu relato? Que importa!
Portanto, eu escutava, olhava, emocionado e penetrado pelo encanto profundo da grande solidão; de repente, vi surgir uma mulher, de pé sobre o ponto culminante do rochedo; ela era grande, morena e pálida. Seus longos cabelos negros flutuavam sobre a roupa branca; ela olhava direto diante dela, com uma estranha fixação. Eu me levantara, transportado de admiração, porque esta mulher, florescendo de repente sobre o rochedo, me parecia ser o próprio sonho, o divino sonho que, tão freqüentemente, eu evocara com estranhos transportes. Aproximei-me; ela, sem se mexer, estendeu seus braços nus e soberbos para o mar e, como inspirada, cantou com uma voz doce e lamentosa. Eu a escutava, tomado de uma mortal tristeza, e repetia mentalmente as estrofes que escorriam de seus lábios, como de uma fonte viva. Então, ela se virou para mim, e fui como envolvido na sombra de sua branca roupagem.
- Amigo, disse ela, escutai-me; menos profundo é o mar com ondas variantes; menos duros são os rochedos que não é o amor, o cruel amor que despedaça um coração de poeta; não escute a sua voz que empresta todas as seduções da onda, do ar, do Sol, para abraçar, penetrar e queimar a sua alma que treme e deseja sofrer do mal do amor. Assim ela dizia; eu a escutava e sentia meu coração se fundir numa enlevação divina; quisera me aniquilar no sopro puro que saia de sua boca.
- Não, repetiu ela, amigo, não lutes contra o gênio que te possui; deixa-te transportar sobre suas asas de fogo nas radiosas esferas; esquece, esquece a paixão que te fará rastejar, tu, águia, destinada aos cimos elevados; escuta as vozes que te chamam aos celestes concertos; alça teu vôo, pássaro sublime; o gênio é solitário; marcado com seu selo divino, não podes te tornar escravo de uma mulher.
Ela dizia, e a sombra avançava, e o mar, de verde se tornava negro, e o céu se ensombrecia e os rochedos se perfilavam sinistros.
Ela, mais radiosa ainda, parecia se coroar com estrelas que pareciam iluminar seus fogos cintilantes, e sua roupa, branca como a espuma que agitava a praia, se desenrolava em pregas imensas. - Não me deixes, disse-lhe enfim: leva-me em teus braços ; deixa teus negros cabelos se virem de laços que me reterão cativo; deixa-me viver em teu clarão, ou morrer em tua sombra.
- Vem, pois, repetiu ela com uma voz distinta, mas que parecia distante; vem, uma vez que preferes o sonho que adormece o gênio, ao gênio que esclarece os homens; vem, não te deixarei mais, e ambos feridos com uma mortal ferida, passaremos enlaçados como o grupo de Dante; não temas que eu te abandone, ó meu poeta! O sonho te sagra para a felicidade e para o desdém dos homens, que não abençoarão teus cantos senão quando não estiverem mais irritados pelo clarão de teu gênio
E, então, senti um forte abraço que me elevava do solo; não vi mais senão as vestes brancas que me envolviam como uma auréola, e fui consumido pela posse do sonho que, para sempre, me separava dos homens.
Alfred de Musset.


enviada por Angel_punished



08/11/2004 17:56



...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto
inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...e disse a raposa:
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor...cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é sua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

enviada por Angel_punished



06/11/2004 10:54


Enquanto te amava

Enquanto te amava, a luz jamais tardia
Se punha – o sol dos infames que fulgurava
Tua bela face, era constante! Assim como
A saudade no cárcere da nostalgia.

Marejavam as lágrimas quando tua ausência
Lembrava-me os estirpes por onde andei
À tarde, vendo o poente sol e aspirando
A mesma decadência – foi então que roguei
Á Morte a sua presença!

Malditos sonhos! Por minha vida retém
Calúnias no pensamento e míseras ilusões,
Sem ti o passamento era o meu alcance –
E o palor em meu coração um grande bem!

Enquanto te amava, meu corpo também pairava
Pelas sombras das moneras – era mais um!
Que somente morto despojaria alegria,
Descansando das pândegas telúricas,
Graças a Deus – na morte não se ouvia!

Enquanto te amava, para mim dormia o mundo,
O meu desejo renitente de mudá-lo!
Mesmo que por vínculos ávidos de dor,
Era eu insistindo em amá-lo!

E agora foi-se esse amor... – incapaz
Pelo meu sono virente, sou apenas mais uma mortal,
Adeus, comigo guardarei a tua dor!
Neste jazigo onde descanso em paz!
G.M(05/11/04)



Reflexão Noturna

À noite repousa meu corpo; no entanto a mente
Pela sobriedade dos ares viaja lúgubre,
Isenta das vestes que transpõem o seio,
Isenta da razão que me liberta o enleio!
O cheiro que carrego - resquícios fúnebres
Dos jazigos neste corpo doente.

Inquieta esse medo o meu coração, e apazigua
Das correntes que meu corpo à alma prendeu
Quando morta a ambição – pelo que a vida me deu
Jaz pálida neste instante até que a Alma prossiga!

Mais mil anos de dementes vidas, e a dor
Conseqüente eu hei de viver! – não recues!
De mim não foi-se o espírito pelo pêndulo da noite.
Foi sim – tênue adormecido o amor,
O amor que por ti sentia!

Inquieta pelos panos que a cama revestem
O meu corpo balbucia – cadê o meu espírito?
Na maçada deu-se a falta – eu dormia,
Enquanto de mim fugia sob as escuras vestes
O meu pescoço agora – tua estadia!
Sem sangue caminhei pelos ciprestes,
Caída, alimentando da condessa a ambição
Entregando-a a eterna juventude!

Sonho, sonho amiúde! Meu espírito
Agora retornou ao seu corpo desnudo
Das alegrias que a vida doou – foi infeliz!
Por todo esse tempo entorpecido, mudo,
Refletiu o seguinte bem, que esta fosse a verdade:
“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.
Dentre todas essa foi a vossa vontade!
Perdoai-os, eles não sabem o que fazem.
Amém.”
G.M(05/11/04 - 00:00)
enviada por Angel_punished



05/11/2004 00:16



Hóspede Maldito

Era noite – os corvos agitados pelo frio
Batiam-se estarrecidos na janela do meu quarto.
Pela compaixão - sobrevivente em meu peito vazio
Deixei-os entrar e compartilhar comigo da solidão.

Eram três – três agonizantes pássaros que tremiam
Estanguidos – percebi que um sangrava, e a enxúndia
Era visível! Meu Deus, pobre ave! De começo me pareceu
Cabal sem macula alguma pelo corpo negro, agora escorria
Como lágrima cada dor – o sofrimento do corvo agora era o meu!

Feito duas pérolas negras seus olhos me fitavam,
Misericórdia Senhor! Que pecado cometeu este infeliz
Para com a morte pagar feito um pária, com ardor,
O mesmo pecado que nós humanos curamos com o amor,
Este vil sobrevivente, que a qualquer um torna feliz?

Não o leve de mim! Essa companhia que apenas o silêncio
Consegue entender, e que me fita, com cândido olhar,
Devolvendo a inocência estática que um humano vil
Roubou-me ao fazer eu entregar meu próprio corpo
Como quem entrega ao incêndio um inimigo hostil!!

Este corvo – com minha vida cuidarei!
Deixe que o tempo leve-o à guerra, como um soldado
Que parte lúcido de seu desfecho – onde há de morrer.
Este corpo – pobre corvo- uma vez em mil vidas amado,
Deixe-o agora, para que com sua candidez, me ensine a viver!
G.M(05/11/04)

enviada por Angel_punished



02/11/2004 02:40


DIA DOS MORTOS

Todos estamos mortos,
Insensíveis, em decomposição
Neste dia dos mortos.
Para que reverenciar os mortos
Se mortos estamos?
Nada nos sensibiliza.
Nem a dor alheia,
Nem a fome das crianças de Biafra.
O planeta se decompõe
rodopiando num sistema
De astros mortos.
Todos estamos mortos
Neste dia dos mortos.

Pegê

enviada por Angel_punished






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